atobá-de-pé-azul e ovos

Galápagos #3 – Ilha San Cristóbal

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Nossa viagem terminou em San Cristóbal, a ilha mais ao leste de Galápagos. É lá que fica a capital do arquipélago: Puerto Baquerizo Moreno. Cidade pequena e simpática, cuja característica mais marcante é a presença de uma colônia de leões-marinhos logo ao lado do porto. A qualquer momento do dia ou da noite dá para encontrar leões-marinhos cochilando nas ruas, bloqueando portas e até mesmo dormindo sobre bancos. A colônia faz bastante barulho, principalmente à noite, quando há mais animais juntos. Rugidos estranhos que vão ficar na memória! Gravei o som com o celular, então talvez seja preciso aumentar um pouco o volume para ouvir:

 

leão-marinho em San Cristóbal

Leão-marinho dorminhoco em Puerto Baquerizo Moreno

Caminhando ao longo do porto também dá para ver gaivotas, fragatas, garças e algumas aves limícolas.

socó-de-lava

Socozinho (Butorides striata sundevalli), subespécie que existe apenas em Galápagos

Wandering tattler (Tringa incana). Foto: Victor Skrabe

Um passeio bacana para fazer em Puerto Baquerizo Moreno é visitar o Centro de Interpretação Ambiental e seguir pela trilha até o Cerro Tijeretas. É uma caminhada leve, que atravessa uma área preservada com vegetação bastante interessante. Em Abril estava tudo florido de amarelo e vermelho. Observei várias espécies de tentilhões ao longo da trilha, além de mariquitas-amarelas, Galapagos Flycatchers e San Cristobal Mockingbirds. A trilha dá acesso à uma pequena praia, a uma gigantesca estátua de Darwin e um antigo canhão, terminando em um mirante de onde é possível ver muitas fragatas (tijereta significa fragata em espanhol).

Galapagos Flycatcher (Myiarchus magnirostris)

Mimus melanotis

San Cristobal Mockingbird (Mimus melanotis), espécie endêmica da ilha de San Cristóbal

Um passeio imperdível que pode ser feito a partir de San Cristóbal é uma visita à Española. A ilha é lar do albatroz-de-galápagos e várias outras espécies de aves marinhas. Todos os turistas com quem conversei amaram Española. Infelizmente não pude fazer este passeio. Ficamos em San Cristóbal por apenas 2 dias: na quinta-feira os tours estavam lotados e sexta-feira é o único dia da semana em que não são feitas saídas regulares para Española. Quase chorei quando descobri, nenhuma das várias agências de viagens que consultei em Galápagos havia me avisado. Todos os tours têm saídas diárias, menos Española…

Não podendo conhecer Española, começamos uma romaria para conseguir vaga em outro tour: Punta Pitt. Todas as agências nos diziam que era um tour muito difícil de fechar pois poucas pessoas se interessavam. Eu já havia perdido a esperança e estava inconsolável quando o Victor descobriu um passeio que já estava fechado mas havia restado uma única vaga! Viva!!!

Atobá-de-pé-vermelho (Sula sula), filhote branco e adulto com plumagem marrom

Punt Pitt fica na ilha San Cristóbal mesmo, mas o acesso é feito por barco. Seu grande destaque é a presença do atobá-de-pé-vermelho, espécie que antigamente ocorria somente em ilhas onde não existia o gavião-de-galápagos. O desaparecimento do gavião – devido a ação humana – permitiu o estabelecimento do atobá-de-pé-vermelho em Punta Pitt e na ilha Floreana, muito recentemente.

Atobá-de-pé-vermelho

Atobá-de-pé-vermelho (Sula sula), adulto com plumagem clara

O atobá-de-pé-vermelho não é endêmico de Galápagos. A espécie têm uma distribuição bastante extensa, ocorrendo nos oceanos Pacífico, Atlântico e  Índico, sempre ao longo da região equatoriana. Curiosamente em Galápagos a maioria dos atobás-de-pé-vermelho são marrons, mas 95% da população global é branca (como o indivíduo da foto acima). Em Fernando de Noronha, por exemplo, a maioria dos atobás-de-pé-vermelho são brancos.

atobá-de-pé-azul e filhotes

Atobá-de-pé-azul (Sula nebouxii)

Enquanto o atobá-de-pé-vermelho nidifica em árvores, o atobá-de-pé-azul choca seus ovos e cria os filhotes no solo. Durante a época de reprodução faz muito calor em Galápagos e é impressionante observar os pais protegendo os filhotes do sol forte, por horas à fio.

Rabo-de-palha-de-bico-vermelho (Phaethon aethereus)

Depois da caminhada em Punta Pitt navegamos até uma ilhota próxima para um mergulho de snorkel merecido e refrescante. Mas haviam tantas aves no céu que desisti do mergulho e fiquei só brincando com a câmera fotográfica. Gaivotas, fragatas, petréis e atobás passavam a todo instante, mas eu queria mesmo era registrar estas aves brancas com cauda fininha e comprida, que voavam inacreditavelmente perto do barco. Eram rabos-de-palha-de-bico-vermelho, o último dos muitos lifers feitos nesta viagem. Fechei com chave de ouro!

 

Observação: para quem chegou agora e não está entendendo nada… dividi o relato da viagem à Galápagos em 4 posts: