Marambaia

Passarinhada na Marambaia, Jaú – SP

Na divisa entre os municípios de Jaú, Bariri e Itapuí (SP) há uma região úmida conhecida como Marambaia. Originalmente um bairro rural com muitos habitantes, a Marambaia sofreu grandes transformações na década de 60, quando foi alagada após a construção de uma represa. A expansão das áreas de várzea e brejos acabou dando origem à um ecossistema muito peculiar, em alguns aspectos semelhante ao Pantanal, atraindo animais típicos desse tipo de ambiente. Atualmente há registros de mais de 200 espécies de aves na Marambaia, entre elas o icônico tuiuiú, além de colhereiros, cabeças-secas, garças, marrecas, saracuras…

Tendo em vista à facilidade de acesso ao local e seu potencial para o turismo de observação de aves, semana passada um grupo se reuniu lá para uma grande passarinhada, batizada de Expedição Marambaia. Organizada pela bióloga Martha Argel, a expedição teve como proposta facilitar o diálogo entre birdwatchers, representantes locais e imprensa.

Expedição Marambaia 2017

Trocando conhecimentos sobre a Marambaia e sua rica avifauna

Mais de 30 pessoas participaram da expedição, que começou na sexta-feira (10/fev) e terminou no domingo. Quem não era da região se hospedou na Fazenda Salto São Pedro, que fica muito próxima à Marambaia.

Fazia muito calor e aproveitamos o período da noite para conversar e trocar ideias. O Paulo Guerra, grande defensor da Marambaia, nos explicou a situação da região, que é ameaçada pela poluição das águas e ocupação do solo. Ele e outros moradores de Jaú iniciaram uma campanha pela preservação do lugar.

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Cena cotidiana na região da Marambaia

No sábado acordamos bem cedo e seguimos em comboio pelas estradinhas de terra que dão acesso à Marambaia. Apesar do grupo ser bem grande, deu para passarinhar numa boa, cada um no seu ritmo. Parei o carro uma infinidade de vezes, a cada momento que avistávamos uma espécie diferente. Neste pinga-pinga levamos a manhã inteira para chegar até a ponte onde termina o trajeto. E passarinhamos na volta também!

Não consegui fotografar tudo que queria (a maioria das aves estava bastante distante), mas seguem alguns registros.

Gavião-caramujeiro

Gavião-caramujeiro (Rostrhamus sociabilis)

Particularmente gostei de observar os gaviões-caramujeiros, nunca tinha visto tantos em um mesmo lugar. No final da tarde, na ponte, eles passavam voando por cima da gente de cinco em cinco minutos.

Noivinha-branca

Noivinha-branca (Xolmis velatus)

Outro bicho fácil de ver lá na Marambaia: a noivinha-branca! Também encontramos vários joões-de-barro (precisei conferir no Google como é o plural de joão-de-barro) e seus parentes: curutié, arredio-do-rio, graveteiro, petrim, joão-teneném…

Ninho de joão-de-barro

João-de-barro (Furnarius rufus)

Graveteiro

Casal de graveteiro (Phacellodomus ruber)

Arredio-do-rio

Arredio-do-rio (Cranioleuca vulpina)

Em determinado momento o pessoal entrou num pasto atrás do tuiuiu e eu, levemente atrasada, achei melhor não encarar as vacas sozinha. Sim, eu morro de medo de vaca (e não sou a única!). Perdi o tuiuiu mas fiquei um tempão observando o casal de picapauzinho-anão cuidando do ninho. A fêmea é a da esquerda, o macho tem um pouco de vermelho na nuca.

Picapauzinho-anão

Casal de picapauzinho-anão (Veniliornis passerinus)

No domingo visitamos a Reserva Particular do Patrimônio Natural Amadeu Botelho, à convite de seu gestor, Toni Carioba. A RPPN fica a cerca de 2 quilômetros de Jaú e preserva uma floresta secular. Uma paisagem bastante diferente daquela que encontramos na Marambaia. Ali foi possível observar aves que preferem viver na borda da mata, como o cabeçudo, barranqueiro-de-olho-branco, pica-pau-de-banda-branca, tico-tico-de-bico-amarelo, juriti-pupu…

Vista de Jaú

Vista da cidade de Jaú, a partir da RPPN Amadeu Botelho

tico-tico-de-bico-amarelo

Tico-tico-de-bico-amarelo (Arremon flavirostris)

Participar da Expedição Marambaia foi uma experiência muito agradável. O evento reuniu um grupo diverso, com pessoas de interesses muito variados. Foi uma oportunidade de rever amigos e finalmente conhecer algumas pessoas que eu só tinha contato pela internet. E fazer isso tudo passarinhando é sempre um privilégio!

Fico devendo um monte de informações, mas o pessoal é ágil e já tem muita coisa publicada sobre a expedição:

Enquanto isso, o grupo lá no facebook continua bastante ativo. Já estão pensando em novas expedições!