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Rio, Tráfico de Animais e a Ararinha-azul

Deixei o cinema feliz. Apesar de todos os estereótipos brasileiros e alguns errinhos básicos sobre a biologia dos personagens principais, o filme agradou muito. Além disso, não estamos falando de um documentário, e sim de um desenho animado voltado para o público infantil. Só espero que as crianças – e quem sabe alguns adultos – compreendam corretamente a mensagem do filme: o que é o tráfico de animais silvestres e suas conseqüências. Depois do aumento na comercialização de peixes-palhaço por causa do filme Procurando Nemo, fico preocupada…

A Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) ganhou muito destaque na mídia a partir da década de 80, quando a comunidade científica identificou que restava um único indivíduo em vida livre. Sua população era originalmente pequena, ocorrendo no interior árido do nordeste brasileiro, entre o norte da Bahia e o sul do Piauí e Maranhão (e não no Rio de Janeiro…). O tráfico de animais e a redução de seu habitat causou sua completa extinção na natureza. A última ararinha-azul livre, um macho, não é vista desde outubro de 2000.

Atualmente existem entre 60 e 70 indivíduos em cativeiro, espalhados pelo mundo. Até 2002 existia um Comitê de Recuperação da Ararinha-azul, criado pelo IBAMA, mas ele foi dissolvido por falta de cooperação entre os criadores e colecionadores. Ainda assim, permanece um programa de reprodução em cativeiro, do qual participam órgãos brasileiros e do exterior.

Hoje existem também programas para a conservação da Arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) e da Arara-azul de Lear (Anodorhynchus leari), dois outros psitacídeos brasileiros muito ameaçados de extinção.

Referências:

Karyotype of the little blue macaw Cyanopsitta spixii (Spittaciformes, Aves)

Analysis of the genetic variability in a sample of the remaining group of Spix’s Macaw (Cyanopsitta spixii, Psittaciformes: Aves)by DNA fingerprinting

The habitat and status of Spix’s Macaw Cyanopsitta spixii

IBAMA dissolve comitê de recuparação da Ararinha-azul por falta de consenso sobre preservação