Sobre aves e pokémons

Sobre aves e pokémons

Meses atrás alguém me falou sobre um novo jogo que estava sendo desenvolvido pela Nintendo, o Pokémon GO. Os jogadores, munidos de seus celulares, deveriam procurar monstrinhos virtuais espalhados pelo mundo real. Lembro que no momento eu pensei “ah tá, é tipo observar aves, só que eu procuro monstrinhos reais”.

Semana passada Pokémon GO finalmente foi lançado, embora ainda não esteja disponível no Brasil, para o desespero de muitos fãs. Lá fora o jogo é uma verdadeira febre, há boatos de que o número de usuários já ultrapassou os do Tinder e deve alcançar em breve os do Twitter. E estamos falando de um jogo que não pode ser jogado no conforto do sofá, ele obriga os jogadores a sair de casa! O resultado são milhares de pessoas procurando pokémons* por aí, e eventualmente encontrando animais bastante reais pelo caminho:

Alguns cientistas, animados com esses registros compartilhados pelos jogadores, logo criaram a hashtag #PokeBlitz. Assim, usuários do Pokémon GO podem solicitar ajuda no Twitter para identificar esses estranhos seres que não fazem parte da fauna fictícia pokemoniana. Não demorou para que uma outra iniciativa surgisse: fichas de animais e plantas que imitam fichas de dados de pokémons, sob a hashtag #PokemonIRL.

Esta ficha acima poderia ter saído de um guia de campo de aves. Aliás, sair por aí explorando os arredores em busca de criaturinhas simpáticas tem muito a ver com observação de aves, não? Com a diferença que o objetivo do jogo é capturar os pokémons, enquanto na observação de aves o desafio é apenas encontrá-las, no máximo capturar belas fotografias.

De fato, existem várias similaridades entre Pokémon GO e birdwatching. Pelo que entendi os pokémons, assim como as aves, têm diferentes hábitos e podem ser encontrados em ambientes variados. E o interessante  é que o jogo respeita essas características dos monstrinhos. Se eles gostam de água só podem ser encontrados perto de água, por exemplo. Alguns tipos de pokémons são comuns e facilmente encontrados, como são os bem-te-vis, as pombas-de-bando, os tico-ticos. Outros pokémons são extremamente raros e os jogadores sonham poder encontrá-los, assim como muitos birdwatchers sonham em ver uma rolinha-do-planalto (ave que não era vista desde 1941 e foi redescoberta no Brasil recentemente).

O blog Nemesis Bird fez uma comparação entre as telas do jogo Pokémon GO e as telas de aplicativos para celular utilizados por observadores de aves, como o BirdsEye e o eBird. As semelhanças são impressionantes! Caçadores de pokémons e birdwatchers utilizam recursos muito parecidos, como mapas que indicam hotspots, listas de espécies, fichas descritivas…

Quem sabe alguns destes jogadores não venham a se interessar pela observação de aves? Não sei quantos pokémons existem, mas só aqui no Brasil há quase 2.000 espécies de aves!

 


(*) O Google me ensinou que a palavra pokémon (abreviação de Pocket Monsters) é igual no singular e no plural, mas achei que ficava estranho no texto então escrevi pokémons.