filme sobre birdwatching

A Birder’s Guide to Everything

Minha expectativa sobre este filme estava tão alta que acabou estragando a experiência. Como acontece com tantos outros filmes, o trailer já mostrava a história toda e as melhores cenas (ou seja, se pretende assistir A Birder’s Guide to Everything, não veja o vídeo abaixo!). Também esperava ver mais aves, mas os personagens falam mais delas do que realmente as observam. Não quero dizer que o filme seja ruim, mas é muito diferente do que eu estava esperando assistir.

O protagonista da história é David, um adolescente de 15 anos que perdeu a mãe recentemente. Ela era uma birdwatcher de carteirinha, cuja paixão pelas aves levou o filho a seguir seus passos. Junto com seus dois grandes e provavelmente únicos amigos, David cria um clube de observadores de aves na escola onde estudam, fadado ao fracasso pela falta de interesse dos demais alunos. Em meio a várias tensões típicas dessa faixa etária, mais alguns probleminhas familiares não tão típicos, os três convencem uma colega (dona de uma super câmera fotográfica) a sair em busca de uma grande descoberta ornitológica.

Os adolescentes acreditam que podem encontrar o já extinto pato-do-labrador (Camptorhynchus labradorius). Eles entram em contato com um grande ornitólogo, Lawrence Konrad (interpretado por Ben Kingsley), que afirma que o pato-do-labrador foi a primeira ave a desaparecer da América do Norte. Na verdade a primeira ave a ser extinta após a colonização européia foi o arau-gigante ou torda-gigante, conhecido em inglês como Great Auk (Pinguinus impennis). Sobre este assunto, incluindo falhas nas comparações do pato-do-labrador com outras espécies, vale a pena conferir a crítica da Grrlscientist (um ótimo blog do jornal britânico The Guardian).

O filme também faz bastante referência à cultura birdwatcher nos Estados Unidos. Em certa medida há até mesmo uma crítica aos observadores obsessivos que só se preocupam com listas e mais listas, em contraste com os poucos que observam realmente pelo prazer de observar, curtindo o momento e alcançando uma “conexão transcendente com a natureza”.