Trilha em Águas da Prata – SP

trilha aguas da prata

Nada como uma linha férrea para dar um ar todo especial à paisagem. Eu só não sabia que era tão difícil caminhar sobre pedras, trilhos e dormentes… Foram 16km bem suados! Levamos cinco horas e meia para completar o percurso, que começa em Águas da Prata (ao lado da rodoviária) e segue os trilhos do trem até um pequeno bairro chamado Cascata, quase na divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais.

Para falar bem a verdade, essa NÃO é uma trilha ideal para birdwatching. Caminhar sobre os trilhos exige atenção, por isso você acaba olhando mais para baixo do que ao redor. Também é preciso ficar esperto com os trens, embora sejam poucos os que ainda utilizam essa linha. Mesmo assim, com olhos e ouvidos atentos dá para encontrar uma porção de aves interessantes pelo caminho. Além de muitas borboletas, esquilos e teiús…

sovi

Sovi (Ictinia plumbea)

periquitao maracana

Periquitão-maracanã (Aratinga leucophthalma). Foto: Edgard R. Jr.

Mesmo com o sol a pino a passarada não descansou. Tico-ticos (Zonotrichia capensis) dominavam a vegetação mais rasteira, enquanto várias espécies de andorinhas compartilhavam o céu. Urubus-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) também eram muito abundantes, mas vez por outra um urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aurea) aparecia. Também, não é para menos. Encontramos uma quantidade enorme de ossos de animais que foram atropelados pelos trens. A maioria das carcaças era de gado, mas também encontramos alguns sapos.

trilha aguas da prata

A ponte é a parte mais perigosa da trilha

Ao longo do trajeto há apenas duas pequenas pontes. A primeira é bem curta, mas esta da foto deu um pouco de medo. São cerca de 200 metros, pisando de dormente em dormente. Imagina se passa um trem bem naquela hora? Por isso, nada de fazer esse passeio em dias de chuva, quando a madeira fica molhada e escorregadia!

gaviao carijo

Gavião-carijó (Rupornis magnirostris)

knipolegus lophotes

Maria-preta-de-penacho (Knipolegus lophotes)

Depois da temível ponte, encontramos um casal de maria-preta-de-penacho (Knipolegus lophotes), que caçava insetos no ar. Nos vôos curtos dava para ver bem a mancha branca nas asas. Os insetos também atraíram muitos gibões-de-couro (Hirundinea ferruginea). Mais para frente a trilha cortava várias plantações de eucalipto, onde vimos algumas gralhas-do-campo (Cyanocorax cristatellus).

viuvinha

Macho de Viuvinha (Colonia colonus)

E para fechar a trilha, um lifer! Nós não sabíamos, mas faltavam poucos metros para acabar a caminhada quando avistamos um macho de viuvinha (Colonia colonus). Fazia tempos que eu estava namorando esta espécie nos guias de campo… rsrsrs. Pouco depois alcançamos a velha estação de Cascatas, onde terminava nosso passeio. Ufa! Nada como tomar uma coca gelada no barzinho, enquanto esperávamos o ônibus para voltar para Águas da Prata…